segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A Busca pela felicidade pode estar nos tornando infelizes


Busca pela felicidade está nos tornando infelizes, diz pianista que sobreviveu a abusos e tentativa de suicídio.

Hoje me deparei com uma entrevista do pianista James Rhodes e ela fez muito refletir sobre o quanto isso é verdade. É sempre importante manter-se positivo, mas nem sempre aquilo que buscamos é algo que pode ser mensurado. Ou até mesmo pode gerar uma frustração maior dependendo de como você faz.

Não precisamos ser felizes o tempo inteiro

"Não somos destinados a ser felizes o tempo inteiro", diz ele no quadro opinativo Viewsnight, do programa da BBC Newsnight, afirmando que a busca pela felicidade a todo custo está nos tornando infelizes.

Confira a visão dele sobre o assunto e a relação disso com as redes sociais.

Eu quero destacar que internet e redes sociais são pontos importantes da minha vida. Porém, muitas vezes e muitas pessoas utilizam e interpretam esse serviço incrível de maneira equivocada. É aquilo de termos equilíbrio das coisas e também saber utilizar o instrumento para o bem.  _Dani Fuller

A busca pela felicidade parece nobre, mas é fundamentalmente falha. A felicidade não é algo a se perseguir mais do que a tristeza, a raiva, a esperança ou o amor.

A Felicidade é um estado de ser

A felicidade é, simplesmente, um estado de ser, que é fluido, passageiro e às vezes inatingível. Negar a existência de outros sentimentos, nem sempre considerados positivos, não é o melhor caminho.

Estamos em uma era de ritmo sem precedentes no dia a dia e que nossa mentalidade sempre ligada criou um ambiente impraticável e insustentável. Estamos em apuros.

E as selfies cuidadosamente escolhidas postadas no Instagram; a perfeição física espalhada por todas as mídias -inalcançável e extremamente 'photoshopada' - e o anonimato das redes sociais, onde descarregamos nossa ira, não estão ajudando.

"Especialistas já alertam que o uso de redes sociais pode causar ou agravar doenças mentais, como depressão."

Esse tipo de doença - com o qual sofro há 20 anos - deve ser urgentemente repensado e também classificado, enquanto expressão, como simplesmente "condição humana" e não mais como doença mental.

Deve-se atentar para os diferentes tipos de sentimento que permeiam a vida e nem todos têm a ver com satisfação ou alegrias. Há também o outro lado. Todos nos sentimos alternadamente ansiosos, para baixo, tranquilos, aflitos, contentes. Ocasionalmente, alguns de nós podemos nos perder no continuum em direção a depressão, ao transtorno de estresse pós-traumático e a pensamentos suicidas.

Mesmo que não esteja feliz não quer dizer que esteja infeliz.

E que fique claro algo: Só porque não estamos felizes não significa que estamos infelizes. Assim é a complexidade da vida: repleta de sentimentos e situações tumultuados, desafiadores e difíceis.

"Negá-los, resistir a eles, se desculpar por eles ou fingir que não existem é contra-intuitivo e contraproducente".

E assim, seguindo o caminho contrário, o do reconhecimento de que "coisas ruins também acontecem" e de que é preciso falar sobre elas que ele decidiu trilhar há alguns anos - quando resolveu contar em livro episódios de abusos sexuais e outros problemas que enfrentou ao longo da vida.

"Todos pensamos de forma diferente, e os rótulos que nos colocam, são abrangentes e não servem para toda pessoa. A felicidade, como ele diz, é um estado momentâneo, não é permanente." _Gunterpai1945

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