Comportamento
Mais self, menos selfie
Nos Estados Unidos existe uma expressão que não tem correspondente em português: o me time. Temos aqui o tal do “tempo para mim”, mas não acho que seja a tradução correta. Esse “tempo do eu” (em tradução mais do que livre) não tem tanto a ver com as horas do dia que sobram para fazer coisas pessoais (ler aquele livro que estava parado no criado-mudo ou fazer o tratamento estético de que provavelmente você não precisa), mas sim com as horas do dia em que ficamos a sós conosco. Um tempo para curtir a solidão.
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Dani Fuller
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E não apenas por um impulso que comecei a levar a sério. Aceitar a timidez não foi uma reação a algo que estava me fazendo mal.
Com o tempo e até mesmo o sofrimento, eu observei que algo não fechava em tudo que jogavam para cima de mim.
Todos devemos sempre questionar até que ponto o julgamento de uns é a verdade de outros.
Cada vez mais (felizmente) encontro textos que discutem a mesma questão. A questão que por anos nos deixou encurralados. A mesma questão que eu questionei e você deveria começar a fazer também.
A Timidez não é uma doença.
Está cansativo seguir vendo as diversas postagens e muitos desabafos nas redes sociais sobre a timidez.
Mesmo que o inverso também esteja caminhando para conseguir um espaço, ainda prevalece o que tomaram por verdade.
Mesmo os que estudaram e que deveriam possuir o conhecimento. Não são poucos os diagnósticos de psicólogos, matérias em veículos especializados ou o básico conhecimento popular que quem sofre o 'mal 'da timidez deveria procurar uma cura.
Você realmente se sente doente? Ou é a falta de espaço para que se encaixe no mundo que conhecemos que o faz se sentir assim?
Através do incrível artigo de Joe Moran, eu desenvolvi parte do texto que podem ler agora. Ele foi muito feliz com as palavras e em sua análise sobre a timidez.
Ah se existisse o cuidado de valorizar também quem defende a timidez, assim como existe aos que a atacam.
Quem ganhou usando a Timidez como doença?
Timidez não tem lógica. Ela incide de formas aleatórias em determinadas áreas de sua vida e não de outros. Alguns podem achar que falar em público é o maior temor social, por exemplo.
Até mesmo escrever sobre a timidez é difícil. Por sua natureza, é um estado subjetivo, nebuloso que deixa pouca coisa concreta por trás.
Não é por menos que encontramos tão pouca história sobre a timidez. E acho que fica óbvia a razão disso. Muitas podem ter se sentido desconfortáveis para falar ou escrever sobre ela.
E quase tudo que encontramos por aí, todo o rico material sobre pessoas tímidas é justamente vindo daqueles que não o são. As ações para denegrir o comportamento de tímidos ficou enraizado na maior parte das pessoas.
Para Charles Darwin, este "estranho estado de espírito 'foi um dos grandes quebra-cabeças em sua teoria da evolução, pois ela parecia oferecer nenhum benefício para a nossa espécie. No entanto, em pesquisa iniciada na década de 1970, o psicólogo Jerome Kagan Harvard sugeriu que cerca de 10-15 por cento das crianças "nascem tímidas". Reagiram a situações levemente estressantes com um batimento cardíaco rápido e níveis mais elevados de cortisol no sangue.
Por volta da mesma época, a comportamentalista de animais americano Stephen Suomi, trabalhando em um centro de animais em Poolesville, Maryland, observou-se uma porcentagem similar de timidez em macacos, com o mesmo aumento da frequência cardíaca e aumento do cortisol no sangue. Exames de sangue em macacos infantis tímidos com mães de fora, sugeriu que este traço tímido era hereditário. O trabalho de Suomi também inadvertidamente apontou para a utilidade evolucionária da timidez. Quando um buraco surgiu no local onde eles ficavam, deu aos macacos uma chance de sair, os tímidos ficaram onde estavam, enquanto os mais ousados escaparam, apenas para serem atropelados por um caminhão quando tentavam atravessar a estrada.
Timidez é uma "emoção secundária". Ao contrário de emoções primárias, como raiva, medo e nojo - onde há um grande componente biológico e universalmente sentida - a timidez é 'ajustado pela experiência', deixando-o aberto para uma enorme quantidade de condicionamento cultural, variação histórica e ambiguidade de definição.
A timidez, assim como outros traços de personalidade incomuns, foi vista como uma aflição a ser tratada medicamente, e não como um estado temperamental.
O psicólogo Philip Zimbardo passou a realizar diversos tipos de testes nos anos 70. E mesmo em suas pesquisas apontando que era comum o sentimento da maioria das pessoas em serem ou se sentirem tímidas, acabou se tornando pioneiro na tendência moderna de ver a timidez como uma patologia remediável.
Assim, diversos métodos para combater a timidez foram desenvolvidos. E também suas escalas e derivações. Entre 1981 e 82, a timidez extrema agora era um tipo de 'transtorno de ansiedade social' e drogas como Seroxat (ou Paxil) foram desenvolvidas para tratá-la.
Para quem não sabe, Seroxat é um dos antidepressivos mais prescritos em todo o mundo, funciona como Prozac, aumentando os níveis cerebrais de serotonina (responsável diretamente pelo estado de ânimo e emoções nas pessoas).
Foi bem conveniente a esse lado da medicina e também farmacêutico em transformar traços normais de personalidade em transtornos psiquiátricos que os medicamentos deveriam eliminar.
Já em 1999, observando que o número de pessoas que se consideravam tímidas continuavam a aumentar, Zimbardo alegou que essa nova era de computadores, email, menos interação social, substituição de pessoas por máquinas com a automatização etc estavam contribuindo para o que agora era já uma "epidemia" de timidez. E não mais existia um problema individual e sim uma "doença" social.
Com pouca justificação científica, inúmeras emoções e sentimentos passaram a fazer parte das desordens psiquiátricas e, logo, passíveis de serem tratadas com psicotrópico.
Então “diagnosticar” tornou-se um negócio altamente rentável, cuja subvenção é garantida pelos gigantes da indústria farmacêutica apoiados pela Administração de alimentos e drogas norte-americana, com a conivência das Universidades, e a cumplicidade da mídia que conta com o poder persuasivo das agencias de publicidade.
A história da psiquiatria foi radicalmente reescrita, o transtorno de ansiedade social, “patologia” vedete nos Estados Unidos, é um dos exemplos de como uma doença tem que ser criada antes que um medicamento que se lhe aplique seja lançado no mercado.
O DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) utilizado em todo mundo graças à Organização Mundial de Saúde, transformou, em 30 anos, emoções banais em doenças mentais permitindo a rentabilização de moléculas inúteis.
Timidez é um comportamento normal
Isso poderia até ser considerado uma teoria da conspiração se não fosse tão óbvio. E como um assunto puxa o outro, pude encontrar entrevistas e informações maiores sobre tudo dito aqui. Christopher Lane publicou exatamente o livro cujo título destaquei no post.
Será que mesmo após ler tudo isso você ainda vai achar que possui um grande defeito? Tem certeza que o sentimento vem de você?
O autor deu uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em 2008, a seguir destaco 3 perguntas e as respostas para sua absorção e conscientização.
FOLHA - Como define a timidez?
CHRISTOPHER LANE - Eu a definiria como uma forma de consciência de si, às vezes excessiva, que pode resultar em hesitação, atitude estranha e embaraço. É um traço psicológico bem difundido, existindo em cerca de 50% da população. Não é um transtorno psiquiátrico. A timidez tende a variar enormemente de acordo com o temperamento, a idade e a situação -pessoas gregárias podem ficar tímidas no primeiro encontro com estranhos, e crianças e adolescentes podem se tornar tímidas em idades de mais autoconsciência.
FOLHA - Essa atitude do consumidor reflete a mudança cultural que recomenda a postura agressiva do mundo dos negócios?
LANE - É a pressão para ser extrovertido. Há menos ênfase em introspecção, reflexão, escutar e absorver informações. Como resultado, a ideia de "normal" mudou muito e se estreitou demais. O ideal de extroversão torna-se uma exigência. E quem não é extrovertido se sente estranho, carente de alguma cura. A indústria deveria aliviar o sofrimento, mas gera um novo sofrer.
FOLHA - As crianças precisam da timidez assim como da dúvida?
LANE - Não digo que precisam, mas não devem se sentir doentes por a sentirem. As pessoas têm excentricidades, isso é parte da humanidade. As pessoas são mais felizes quando podem se expressar como são. Um psiquiatra que não tolera as diferenças é arrogante
Se você gasta tanto tempo tentando mudar seu jeito de ser, talvez devesse usar o mesmo para aprender mais sobre ele.
Ser tímido é completamente normal, você precisa se dar conta disso e aceitar. Se depois do conhecimento, ainda assim precisar de algum tipo de ajuda ou tratamento, deve sim correr atrás e buscar o melhor para você.
Apenas deixe que essa reação sua a timidez realmente seja algo interiorizado seu. E não apenas seus anseios e dificuldades sofridas durante a vida e implicadas pelo que os outros causaram.
Entenda a timidez e seu comportamento. Seja feliz com o que você tem.
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Dani Fuller
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Odiar a si mesmo é perfeitamente aceitável nesse mundo. Na verdade, alguns argumentam que é preferível. Parece duro, e francamente frio, mas a prova está ao nosso redor. E no entanto, apesar disso, ao ir contra a pressão, e amar a si mesmo, ainda valerá a pena, mesmo com as cicatrizes, ódio, e os julgamentos que você estará submetido.
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seja você mesmo
É muito comum percebemos que cada vez mais as pessoas não vivem em seus próprios termos. Assim gastam sua preciosa energia em uma vida que não amam e até mesmo em uma que odeiam.
Desde crianças é dito para nós que nossa forma de ser não é o caminho certo. Acabamos presos em um ciclo vicioso, falhando em tentar viver de acordo com o ideal de extroversão, e ao tentar outra coisa acabamos por falhar também.
Mais uma vez, a quase minha versão gringa a Michaela do Introvert Spring, criou um incrível post que explica bem esse grande problema que enfrentamos DIARIAMENTE. Eu tentei adaptá-lo para algo mais genérico, pois não apenas pode ser relacionado a introvertidos como outros tipos de personalidade também e conseguiu exemplicar o que hoje eu consigo enxergar.
Essa mudança para viver em nossos próprios termos não é fácil, é um caminho longo que temos para educar a nós mesmos e as pessoas que convivemos. Porém, não podemos desistir de tentar. Nossa felicidade depende disso.
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Em nosso dia a dia... mesmo complicado entender e aceitar nós mesmos... devemos sempre buscar isso. Não existe nada de errado conosco, não precisamos querer ser o que não somos. É certeza que não tornará sua vida mais fácil, talvez até mesmo amplifique seus traumas e acabe tornando-os irremediáveis.
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Dani Fuller
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Você acha que consegue identificar um introvertido no meio de uma multidão? Pense de novo. Embora o introvertido estereotípico possa ser aquela pessoa na festa que está sozinha ao lado da mesa de comidas, mexendo com um iPhone, o “arroz de festa” pode igualmente bem ter personalidade introvertida.
“Identificar um introvertido pode ser mais difícil que encontrar Wally”, diz ao Huffington Post Sophia Dembling, autora de “The Introvert’s Way: Living a Quiet Life in a Noisy World”. “Muitos introvertidos podem passar por extrovertidos.”
Com frequência, as pessoas não têm consciência de serem introvertidas --especialmente se não forem tímidas--, porque podem não se dar conta que ser introvertido não se resume a buscar tempo para ficar a sós. Em vez disso, pode ser mais revelador verificar se a pessoa perde ou ganha energia quando está com outras, mesmo que a companhia de amigos lhe dê prazer.
“A introversão é um temperamento básico. Logo, o aspecto social, e é nisso que as pessoas reparam, é apenas uma parte pequena de ser uma pessoa introvertida”, explicou o psicoterapeuta Dr. Marti Olsen Laney, autor de “The Introvert Advantage”,falando numa discussão da Mensa. “Ele afeta tudo na vida da pessoa.”
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Essa é a resposta para tudo né? Você se isola. O mundo é todo perfeito, as pessoas também, e você ser solitária é totalmente culpa sua. Suas observações e sua intuição estão realmente errados. Claro que sim! Se a maioria diz algo e repete, torna-se a verdade absoluta, a solução é realmente acreditar no que falam e repetem constantemente.
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Dani Fuller
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Tímidos sofrem com o sentimento de culpa. Sofremos esse mal e diminui-lo ou fazer com que suma é quase que uma missão impossível.
O ruim de conviver com ele é tentar não cair na armadilha das demais pessoas. Essa sua fraqueza permite que as pessoas opostas explorem isso e ainda subam, usando você como degrau.
Se todas a culpa surgisse de alguma situação prática, talvez fosse mais fácil para lidar ou acompanhar. Sabemos que não é assim que funciona. Nossa mente gosta de preparar artimanhas e junto a isso coloque os má-intencionados e pronto você está em uma situação sem saída.
O ruim de conviver com ele é tentar não cair na armadilha das demais pessoas. Essa sua fraqueza permite que as pessoas opostas explorem isso e ainda subam, usando você como degrau.
Se todas a culpa surgisse de alguma situação prática, talvez fosse mais fácil para lidar ou acompanhar. Sabemos que não é assim que funciona. Nossa mente gosta de preparar artimanhas e junto a isso coloque os má-intencionados e pronto você está em uma situação sem saída.
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Dani Fuller
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