terça-feira, 12 de junho de 2018

Como eu lido com a timidez aos 35 anos

Como eu lido com a timidez aos 35 anos

Faz quase 4 anos que criei o post Estou sozinha na multidão. Olhando de fora talvez as pessoas não enxerguem mudanças em mim. Aqueles sentimentos que me provocaram a escrever sobre isso ainda existem, mas no decorrer desse tempo as mudanças foram no interior.

Ainda estou em processo de autoconhecimento e a relação com as pessoas segue bem complicada como se fosse uma montanha-russa que me obrigaram a ir.

Sempre culpei meu jeito pelas coisas darem errado
.

Sou tímida demais para puxar assunto.
Sou tímida demais para manter uma conversa.
Sou tímida demais para apresentar trabalho.
Sou tímida demais para fazer uma entrevista.
Sou tímida demais para conhecer alguém.
Sou tímida demais para me relacionar.
Sou tímida demais para sair.
Sou tímida demais para ser reconhecida no trabalho.

Poderia enumerar para sempre e você provavelmente está pensando em todos os seus motivos também ligados a timidez e que você diz e repete que te impediram de tudo nessa sua breve vida.
Sou tímida demais para puxar assunto

Quando escrevi que eu me sentia sozinha na multidão foi um sentimento de exaustão. Afinal no dia a dia o que vemos são pessoas agindo do jeito mais longe possível de uma pessoa tímida. Se em nenhum lugar e em nenhum momento eu experimentava uma valorização por agir assim, não dava mesmo para viver normalmente

Timidez não é bem vista.

Ninguém recebe aquele “parabéns, você é tão tímida! Quem dera ser assim”.

É  tratado como defeito nas escolas e entrevistas de emprego. É falado em artigos, programas e entrevistas como um aspecto a ser melhorado, tratado. Os pais ficam preocupados se o filho não parece enturmado ou não gosta de conhecer as visitas.

Assim passei toda minha vida até aquele momento que criei esse blog aos 29 anos. Afinal o nome dele não foi por acaso. Eu queria achar pessoas que eram tímidas e também solitárias. Pessoas que também se sentiam pressionada por todos e principalmente por elas mesmas.

Quando citei a montanha-russa anteriormente é que por mais que estejamos preparados para o lidar com alguém, a complexidade de cada indivíduo acaba te pregando uma peça. E aquilo que te machuca é inclusive aquilo que vai te dar as respostas.

Timidez é o problema que não existe

A maior parte das reclamações que eu acompanho e que eu mesma passei sobre a Timidez, estavam relacionadas com a parte que diz respeito às pessoas. O seu ‘eu’ incluso na sociedade como todos conhecemos: ter amizades, sair, ter um romance, ter um emprego, ser bem sucedido. É tudo tão bem fechadinho, como se nada diferente disso fosse bom suficiente. Porém, ao determinarmos algo assim fechado como meta a ser alcançada junto a definição de felicidade (para piorar), esquecemos da individualidade e em como somos complexos.

Somos pessoas únicas

Eu demorei um certo tempo para começar a me tratar como alguém única. Assim como as pessoas que passam por mim na rua ou as que eu tenho que conviver. Cada pessoa é única, mas nem sempre elas agem assim, por isso não podemos confundir com a máscara (e filtros) utilizados em campanhas publicitárias, nas redes sociais e até mesmo no comportamento delas em seu dia a dia (principalmente colegas de trabalho).

De certa forma foi dito em algum momento que você precisava agir como ‘x’ para conseguir ‘y’, tipo uma receita de bolo, e assim foi propagado e muitos continuaram perpetuando como a verdade absoluta (E ainda repetem que sempre foi assim e não é agora que vai mudar). E  chega a você isso.

Só que todo esse “x” é muito diferente da sua verdadeira pessoa. Não há nada impossível, se você persistir e realmente buscar, pode até seguir a manada quase que perfeitamente. E será mais um “x” como tantos outros. Usará seus próprios filtros e viverá sempre no automático. Vai estar tudo superficialmente bem e normal para os critérios estabelecidos pela sociedade. Seus dias de reclamar da Timidez chegarão ao fim.

Afaste as frustrações e encontre sua essência

E assim conhecemos como nascem as frustrações. Quando você se trata como mais um. Quando tenta se adequar a algum ideal que não é o que você deveria ser ou fazer. É quando não busca o autoconhecimento ou não questiona aquilo que não parece certo ou não combina com sua essência.

O voltar a minha essência. Enxergar o que eram meus desejos e não o que foi absorvido por mim no decorrer dos anos pelas companhias e presença de familiares, conhecidos e a sociedade como um todo.

Se eu passo a perceber meu espaço no todo, se eu não me vejo como mais uma, se eu a cada dia trabalho minha mente para valorizar meus esforços, buscar meus sonhos e vontades..

Eu sou tímida e não uma vítima

Aquilo que parecia tão complicado e que eu considerava um obstáculo, é apenas parte de mim. É o que justifica meu jeito único de agir e ser. Em meu próprio modo eu encontro a voz, eu me defendo em algumas situações e não me torno uma vítima das circunstâncias.


A partir do meu próprio desespero, quando me aproximei e encontrei pessoas que passavam pelo mesmo que eu, comecei a enxergar tudo de forma diferente. E não foi automático. Só parei de seguir com a mesma linha de pensamento. Eu precisava mudar sim, mas não aquilo que eu era e sim a maneira como eu pensava sobre isso.

Você precisa respirar um pouco e usar a cabeça. Observe todas as pessoas e tente vê-las com o mesmo cabelo, cor de pele, olhar, voz, maneira de falar, reações. Acha mesmo que faz sentido todo mundo ser igual? Se eu gosto de um carro e não sei fabricar um, eu preciso de pessoas que projetem, construam e vendam carros (isso sem contar cada pecinha responsável por um componente do mesmo). É bem simples, não? Cada um é responsável por uma parte e todas são importantes. Mesmo que atropele uma ou outra etapa...

E assim é a pessoa tímida, tão importante como qualquer outra. O que parece dificuldade é apenas o que deixamos dominar.

Sou tímida demais e puxarei assunto quando for do meu interesse.
Sou tímida demais e manterei uma conversa de algo que eu domine.
Sou tímida demais para apresentar trabalho e dobrarei esforços na prova escrita.
Sou tímida demais para fazer uma entrevista, mas a farei mesmo assim treinando muito para ela.
Sou tímida demais para conhecer alguém e para isso existe a internet.
Sou tímida demais para me relacionar e quem gostar mesmo de mim terá paciência.
Sou tímida demais para sair, porém quando eu quero fazer algo nada irá me impedir.
Sou tímida demais para ser reconhecida no trabalho e por isso eu me esforçarei muito mais sem fingir ser quem eu não sou.


Timidez é sempre tratada como algo que precisa ser melhorado ou curado. Hoje eu vou contar como eu faço para lidar com a Timidez aos 35 anos.

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